Juventude em Risco: Relações familiares
A adolescência é uma fase em que as relações familiares ganham enorme importância. A pesquisa traz números sobre o quanto os jovens valorizam a família, relacionamento com os pais e quem os jovens procuram quanto estão com problemas.
Adolescente dá valor à Família
Para 87,1% dos adolescentes, a família tem sido muito importante em suas vidas. Não chega a 2% o índice de adolescentes que não valoriza a família. Para 11,4%, a família tem sido medianamente importante.

Comentários*
“A pesquisa nos deixa alguns problemas emergentes que solicitam nossa responsabilidade e reflexão. A nossa Comunidade e vida pública estão cooperando no processo de crescimento dos nosso adolescentes? A Igreja e o Estado o que estão oferecendo para a formação humano-cristã e para a cidadania dos nossos adolescentes? Tratando-se do ser humano podemos nos contentar só com a maioria? … e os outros?”
“Gostei muito do trabalho realizado pela SEMEAR e pelo IPESO. Foi e é uma busca e incentivo para se educar o cidadão responsável. Na verdade, nunca é demais investir e trabalhar pelo ser humano.”
DOM JOSÉ LAMBERT
Arcebispo de Sorocaba
“A pesquisa bis faz pensar na família. É o velho tema, muitas vezes esquecido pela sociedade. A família é a base e será sempre a célula de segurança. É hora de redescobrirmos a família. Comece pela sua casa. Reúna casais amigos, filhos, netos, avós. Redescubra movimentos bem próximos. Não existe vara de condão, nem técnica exclusiva.
Existe um segredo: Pais, amem-se entre si, como Cristo amou a Igreja. Pais, amem os seus filhos. Filhos, respeitem os seis pais. O amor é a mola. Este amor, o homem corrompido só o reencontra na pessoa de Cristo. Todo o movimento de redescoberta da família deve partir desta verdade: Deus, em Cristo é o centro e a base da vida familiar.”MATHEUS BENEVENUTO JUNIOR
Pastor da Igreja Presbiteriana de Sorocaba
“Conclui-se que é preciso que essa família seja preparada para tomar o seu lugar na vida dos jovens. A comunicação entre a família é importante para que ela deixe de ser apenas aquela que ‘cuida de tudo’, mas que ela queira fazê-lo participar de ‘tudo no lar’.”
FLORIPES GOMES CARDOSO CURTO
Presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de Sorocaba
*Autoridades e cargos respectivos a dezembro de 1994, data dos depoimentos.
Apenas metade se relaciona bem com os pais
Entre os adolescentes, apenas 46,2% consideram que seu relacionamento com os pais tem sido bom. Para 42,8% o relacionamento não chega a ser bom (as respostas foram estimuladas), e classificaram-no como ‘normal’, o que sugere a existência de atritos. Para 9,7% dos adolescentes, o relacionamento está sendo regular e quase 2% revelaram que estão enfrentando sério problemas.

Comentários*
“Tendo apoio dos pais – cujo respeito dos filhos deve ser alicerçado num relacionamento de amor, amizade e de diálogo permanente, o jovem será sempre mais seguro e confiante. É no seio familiar que a pessoa começa a formar seu caráter que definirá o seu comportamento como adulto.”
RENATO AMARY
Deputado Estadual eleito
“Uma das metas mais importantes da família moderna é o resgate do tempo para a convivência entre pais e filhos. É nessa relação diária, desde a infância, que se conseguirá construir uma relação de intimidade, tão importante para se criar os laços de amizade na fase da adolescência.
Os jovens querem estar próximos da família. E tudo que for feito para favorecer essa aproximação será fundamental para o desenvolvimento dos valores, da personalidade, enfim, das diretrizes de vida a nortearem os caminhos da nossa juventude. Temos que investir na sensibilização dos adultos que constituíram família para que estes priorizem no seu dia-a-dia a presença qualitativa na convivência com os filhos.”
ANGELA MARTINS VIEIRA
Presidente da Escola de Pais do Brasil – Seção Sorocaba
“O que entendemos por relacionamento normal é aquele em que os pais determinam as ações, sem muito diálogo, sem muita participação, mas é isto que tem tornado a vida do jovem insuportável. É necessário diálogo, comunicação, preparação da família para exercer seu papel extremamente importante junto ao jovem e de programas de atendimento que envolvam a família.”
FLORIPES GOMES CARDOSO CURTO
Presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de Sorocaba
“Valorizemos a família! Não precisamos criar novas estruturas, outros organismos e movimentos. Bastará os que já temos nos vários segmentos da sociedade. Vejamos! Na escola, redescobrir as associações de pais e mestres, que oportunidade! Nas Igrejas, os movimentos familiares de integração e relacionamento entre pais e filhos.
Movimentos que já comprovaram sua eficácia, que ficaram esquecidos: Escotismo e Bendeiritismo. Nos clubes de serviço e outras associações, oportunidades para pais e filhos trabalharem juntos para maior integração e com o objetivo do bem comum da sociedade.”MATHEUS BENEVENUTO JUNIOR
Pastor da Igreja Presbiteriana de Sorocaba
*Autoridades e cargos respectivos a dezembro de 1994, data dos depoimentos.
Os pais são os mais procurados
Quando o adolescente tem um problema, ele deverá levá-lo aos pais. Essa é a postura de 61% dos adolescentes, os amigos merecem o crédito de 17,9%, sejam na rua 9,7% ou na escola, 8,2%. A incidência de 4% de adolescentes que não levam seus problemas a ninguém e a baixa incidência da resposta “professores” indica que, se por um lado alguns adolescentes não compartilham seus problemas com os pais ou parentes próximos, os professores deveriam receber maior atenção.

Comentários*
“A problemática do adolescente no âmbito familiar muitas vezes deve ser analisada inserida numa conjuntura mais ampla, já que o meio pode interferir nas relações sociais e familiares e mesmo na formação do adolescente. A crise econômica traz consequências terríveis para a família e no seu relacionamento.
Problemas financeiros, o que obviamente tendem a ocorrer com as classes menos favorecidas, podem ocasionar sérias tensões no relacionamento de um casal e deste com os filhos. Quando isso acontece, é natural que, para o adolescente, diminuiu a importância da instituição familiar e ele tende a apresentar seus problemas e dúvidas cada vez menos aos pais, preferindo fazê-lo para terceiros, amigos ou professores, por exemplo.”RENATO AMARY
Deputado Estadual eleito
“Acho muito oportuna a pesquisa sobretudo considerando os resultados que a meu ver refletem a realidade dos adolescentes sorocabanos. Como trabalho com drogados e famílias, tenho convicção que somente esta pode ajudar a recuperação dos adolescentes.”
“Apesar de sabermos que os pais têm menor influência nos filhos a partir dos 10 anos, quando é surpreendentemente grande a influência dos amigos, concordo com o resultado de que 9,7% procuram os amigos quando têm problemas. Independente da classe social, considero de suma importância destacar que o relacionamento do adolescente com os pais precisa de um incentivo.”
MARIA INÊS MASCARENHAS
Presidente do Conselho Tutelar da Criança
“A sociedade de consumo na qual vivemos tem contribuído para a desintegração da família com as suas consequências. As injustiça; capital, trabalho e salário, a ganância desenfreada pelo mais e mais, pelo mais novo, mais moderno, última geração, os desafios dos bens de consumo têm feito da família uma escrava constante. Em busca do mais, os pais estão fora, não têm tempo; os filhos com alguém substituindo a paternidade responsável.
Esta ausência constante do lar traz uma outra relação; afetividade e confiança com a outra pessoa que entrou na vida familiar e lentamente vai tomando o lugar dos pais. Na hora do aconselhamento, das dúvidas ou das crises, falta a confiança. A quem buscar? Os pais deveriam ser os confidentes, os conselheiros, os educadores, os administradores da crise com capacidade e amor para tantas vezes falarem ‘não’.”MATHEUS BENEVENUTO JUNIOR
Pastor da Igreja Presbiteriana de Sorocaba
*Autoridades e cargos respectivos a dezembro de 1994, data dos depoimentos.


