Juventude em Risco: Álcool e drogas
O consumo de álcool e drogas também faz parte do rol de assuntos que permeiam a juventude. A pesquisa traz dados sobre frequência de consumo, tipos de bebidas, conivência dos pais e o ainda mais alarmante uso de drogas.
Álcool já constitui uma ameaça
Os números do álcool são alarmantes: 40,7% dos adolescentes consomem bebidas alcoólicas pelo menos uma vez por mês. Os resultados apontam que 11,4% dos jovens de 13 a 17 anos bebem todos os finais de semana, nesta faixa etária.

Comentários*
“O jovem, a partir dos 13 anos é geralmente visto pela família como ingressante na vida adulta e começa a ter suas regalias, e a ‘cervejinha’ com os amigos é uma delas. Não existe consciência a respeito dos malefícios do álcool, mesmo em pequenas quantidades e o grau de dependência que pode provocar. O adolescente por natureza tem uma curiosidade dirigida a tudo o que é proibido e não tem crítica a respeito de seus atos, pois não é orientado desta forma. O consumo de álcool, uma vez autorizado (ou não) tende a induzir o jovem ao consumo de outras drogas.”
MARIA CLARA SCHNAIDMAN SUAREZ
Médica Psiquiatra
*Autoridades e cargos respectivos a dezembro de 1994, data dos depoimentos.
O consumo é preocupante
O refrigerante foi substituído pela cerveja ou por outro tipo de bebida alcoólica por 40,7% dos adolescentes. Cerca de 33,8% dos adolescentes admitiram que bebem cerveja. Tomando-se por base o comportamento em grupo dos adolescentes, é possível que o grupo dos que bebem possa exercer influência no grupo que não bebe e num momento seguinte, o problema da bebida se torne irreversível.
Resistem ainda 59,3% dos adolescentes que não admitem ingerir qualquer tipo de bebida alcoólica, esse grupo ainda “exibe” o copo de refrigerante. A parcela de 4% prefere outros tipos de bebida, o que piora esse cenário, uma vez que, em geral, essas bebidas possuem teores alcoólicos mais elevados.
Estágio avançado
Um grupo menor, 2,9% admite consumir todo tipo de bebida alcoólica, sem restrições. Para a faixa etária dos 13 aos 17 anos, o consumo de “todo tipo” de bebidas revela um estágio avançado.

Comentários*
“Nota-se a necessidade de orientar, principalmente os pais dos adolescentes a respeito da gravidade do consumo de álcool”
MARIA CLARA SCHNAIDMAN SUAREZ
Médica Psiquiatra
“Dados alarmantes e preocupantes, pois parte destes adolescentes que usam álcool certamente vão se tornar etilistas crônicos, pois é assim que tudo começa.”
“Por força da minha profissão, tenho bastante experiência com alcoolismo; por isso posso dizer que 50% dos leitos dos hospitais são ocupados por alcoólatras. E é certo que esses casos de alcoolismo com todas as suas consequências danosas para a sociedade e principalmente para a família têm seu início nessa época da adolescência e muitas vezes até na infância, daí a preocupação de se abordar o problema logo em seu início.
A princípio, o adolescente começa a beber por conta de um hábito social, sem imaginar que isso pode ser o começo de todo um problema grave de saúde.”
[Entre as causas que levam o adolescente a beber] “uma família desestruturada, onde há desarmonia e angústia. Mas, na maioria das vezes, o jovem começa a beber para resolver problemas inconscientes, como timidez, carência de afeto, sentimento de abandono, complexos de inferioridade, estados de angústia, inseguranças etc. e acabam ficando ‘escravos do álcool’.”ANTONIO SALVADOR
Professor da Faculdade de Medicina de Sorocaba
“O hábito social da bebida mascara o desenvolvimento da dependência do álcool e dos danos pessoais, físicos e sociais da doença do alcoolismo em seus vários estágios.”
VANIA REGINA BOSCHETTI
Professora da UNISO
*Autoridades e cargos respectivos a dezembro de 1994, data dos depoimentos.
A conivência dos pais
Tomando-se por base o total de adolescentes que consome bebidas alcoólicas, menos de um terços recebe alguma ajuda crítica dos seus pais, ou seja, 31,8% dos adolescentes afirmaram que seus pais sabem do péssimo hábito que adquiriram e por isto os repreendem.
Apenas 7% dos adolescentes que consomem bebidas alcoólicas o fazem escondidos dos pais. 61,2% dos adolescentes que consomem bebidas alcoólicas afirmaram que bebem com o conhecimento dos pais e que esses últimos não os repreendem pelo hábito.
Os dados revelam que os pais ou responsáveis aprovam o consumo de álcool de seus filhos e quando não, mantêm-se numa relação de conivência com o hábito.

Comentários*
“A principal atitude a ser adotada é a da conscientização dos pais, não só a respeito dos malefícios da bebida e do fato dela ser o passaporte de vários descaminhos, como até para rediscutir o papel e a responsabilidade dos pais na formação do ser humano total, ou seja, aquele plenamente apto a viver em sociedade.”
[Sobre conivência] “Preocupou-me mais a indiferença dos indiferença dos pais com o que e o quanto seus filhos estão bebendo. Provavelmente esses pais também não estão interessados em acompanhar os demais comportamentos de seus filhos, os anseios, as inseguranças e o futuro deles.”JOSÉ ANTONIO CALDINI CRESPO
Deputado Estadual eleito
“A bebida é um dos integrantes da ‘cultura das drogas’ que nos rodeia. Beber na adolescência pode ser fator de afirmação e de identidade; sinônimo de charme e elegância; meio de descontração, encorajamento ou bravata; o que importa saber é que muitos adolescentes não pretendem abdicar dessa experiência.”
“É um rito nas festas, nas madrugadas dos barzinhos e danceterias onde o adolescente ingressa cada vez mais cedo. O hábito social da bebida mascara o desenvolvimento da dependência do álcool e dos danos pessoais da doença do alcoolismo em seus vários estágios.”VANIA REGINA BOSCHETTI
Professora da UNISO
“Os resultados da pesquisa sobre o adolescente e o álcool nos apontam a conivência dos pais ou responsáveis no que tange ao consumo de bebidas alcoólicas por seus adolescentes, o que está a exigir um trabalho voltado à conscientização dos malefícios do álcool na vida do adolescente a partir da própria família onde tais jovens estão inseridos e, outrossim, de um controle social mais eficaz sobre a venda de bebidas alcoólicas aos adolescentes, mormente em clubes, bares e danceterias.”
MARA SILVIA GAZZI
Promotora de Justiça da Infância e da Juventude da Comarca de Sorocaba
*Autoridades e cargos respectivos a dezembro de 1994, data dos depoimentos.
1 em cada 30 jovens admite usar drogas
Chega a 3,2% a incidência de adolescentes que utilizam drogas. Isto equivale a dizer que 1 adolescente a cada 30 é usuário de drogas. Observando a faixa etária abrangida pela pesquisa, que compreende dos 13 aos 17 anos, o cenário é mais preocupante. Afinal, as informações existentes dão conta que o vício começa a partir de um amigo já viciado.
Considerando uma incidência teórica quem em cada grupo de trinta adolescentes é possível que tenhamos entre eles um viciado, em cada classe nas escolas pode existir um usuário de drogas, que potencializa o traficante.
Entre os adolescentes, a droga mais consumida é a maconha com 1,5% das respostas, seguida pelo produtos inalantes (colas, solventes etc.), pela cocaína e comprimidos; estes últimos são na verdade remédios vendidos em farmácias “sob prescrição médica”.

Comentários*
“A prática sexual e o uso das drogas injetáveis têm sido responsáveis pelo aumento considerável da transmissão da Aids entre os jovens.”
ROSANA MARIA PAIVA DOS ANJOS
Diretora Técnica do Grupo de Vigilância Epidemiológica – ERSA 59
[Proposição de trabalho intenso e sistemático de promoção à família] “Pois os pais, além do pátrio dever (responsabilidade), são aqueles que estão em contato permanente com os jovens. Esse relacionamento dos filhos com os pais precisa ser incentivado.”
“Para viabilizar o incentivo desse relacionamento poderiam ser aproveitadas as Unidades de Ensino já existentes, em finais de semana e férias escolares (períodos ociosos) com a implantação de programas comunitários de promoção à família, conforme já sugerido no artigo 129 do Estatuto da Criança e do adolescente, a serem coordenados pelas Associações de Pais e Mestres das Escolas.”IVAN VIEIRA DE CAMARGO
Ten. Cel. Comandante do 7º BPM-I
“O início do uso de drogas normalmente sempre é uma fuga de problemas que começa no seio da família. O uso de drogas é um mal que devemos combater unidos, pois é caminho sem volta para o usuário”
JOÃO XAVIER PEREIRA NETO
Secretário Geral da ACM-Sorocaba
“Qualquer trabalho desenvolvido deve necessariamente envolver pais ou responsáveis no aprofundamento do diálogo e na compreensão do problema. O combate às drogas deve passar por uma política efetiva de atividades educacionais, culturais e esportivas ao jovem, e que lhe seja assegurada a garantia de formação profissional com acesso ao mercado de trabalho, para que ele se sinta integrado e útil à sociedade. Como Deputado Federal, defendo mudanças na legislação que facilitem a contratação de jovens menores.”
ANTONIO CARLOS PANNUNZIO
Deputado Federal eleito
*Autoridades e cargos respectivos a dezembro de 1994, data dos depoimentos.


