Perfil do adolescente sorocabano – Perfis Psicográficos

A partir da análise conjunta das 48 afirmações contendo afirmações sobre valores, atitudes e opiniões , foram identificados 4 perfis psicográficos:

1. Empáticos e responsáveis (54%):

  • Valorizam igualdade e justiça social: veem a desigualdade como grave e apoiam medidas de correção (como quem ganha mais pagar mais impostos);
  • Rejeitam preconceitos: discordam de frases racistas, machistas, LGBTfóbicas e da ideia de que “direitos humanos só servem para proteger bandidos”;
  • Mais sensíveis ao meio ambiente: evitam empresas que poluem ou discriminam, gostam de trocar/doar itens e confiam em marcas que cuidam do planeta;
  • Têm postura responsável no mundo digital: pensam antes de postar, desaprovam humilhação online e gostam de usar a internet para apoiar pessoas e causas;
  • Relatam mais sinais de sofrimento emocional (sono, ansiedade, choro sem motivo) e gostariam que a escola falasse mais abertamente sobre saúde mental;
  • Mais alinhados ao consumo sustentável.

2. Pragmáticos do dia a dia (27%):

  • Olham a vida de forma mais prática: tendem a valorizar preço e funcionalidade (“melhor barato que cabe no bolso”) do que causas abstratas.
  • São mais influenciados pelo cotidiano digital: (vídeos curtos, influenciadores), mas sem viver tão “fundidos” ao celular quanto outros grupos.
  • Têm um projeto de vida mais tradicional: em geral valorizam a ideia de casar, ter filhos e formar família.
  • Mostram menos engajamento intenso em debates políticos ou ideológicos: não são os mais militantes nem de um lado, nem de outro.
  • Em saúde mental, ficam próximos da média: nem são os que mais sofrem, nem os que mais negam o tema.
  • Guiados por rotina e preço

3. Conservadores individualistas (15%):

  • Tendem a uma visão mais conservadora de costumes e “lei e ordem”: maior concordância com militares no poder, visão dura sobre direitos humanos e papéis tradicionais de gênero.
  • Maior tolerância a piadas e falas ofensivas: (sobre gays, gordos, nordestinos), com menor percepção de problema nessas brincadeiras.
  • Pouca afinidade com pautas ambientais: veem menos valor em reciclar, reaproveitar, comprar produtos reciclados ou boicotar empresas que prejudicam o meio ambiente.
  • No mundo digital, têm postura mais “cada um por si”: veem menos problema em zoar online, compartilhar sem checar e usar senhas simples.
  • Apesar do discurso mais duro, também relatam ansiedade, dificuldades com sono e interesse em que a escola abra espaço para falar de saúde mental.

4. Céticos e desapegados (5%):

  • Minoria, mas bem distinta: juntam visão muito conservadora em costumes com baixo interesse por igualdade e proteção social.
  • São os que menos reconhecem a desigualdade social como problema urgente e mostram menor apoio a políticas redistributivas ou expansão de serviços públicos.
  • Têm baixa identificação com causas ambientais e coletivas: pouca preocupação com reciclagem, marcas sustentáveis ou controle estatal para proteger a população.
  • No ambiente digital, aparecem como os mais céticos em relação ao uso positivo da internet e menos preocupados com impacto do que postam nos outros.
  • Falam menos de sofrimento emocional e demonstram menor demanda explícita por acolhimento e diálogo sobre saúde mental. da internet.

Como foi feito

Os adolescentes avaliaram 48 frases contendo afirmações sobre valores, atitudes e opiniões utilizando uma escala de 4 pontos: concordo muito, concordo pouco, não concordo e não sei opinar

Etapa 1: Redução de complexidade: As 48 questões foram analisadas em conjunto por MCA (Análise de Correspondência Múltipla) , que identifica eixos latentes de atitudes e valores, mostrando quais combinações de respostas mais diferenciam os adolescentes entre si.

Etapa 2: Agrupamento de perfis: Utilizamos as coordenadas de cada respondente nesses eixos da MCA para aplicar uma análise de cluster, testando diferentes números de grupos e escolhendo a solução com maior coerência estatística e interpretativa.

Etapa 3: Caracterização dos grupos: Para cada grupo identificado, comparamos as taxas de concordância e discordância em cada afirmação em relação à média geral, o que permitiu descrever e nomear os perfis psicográficos dos adolescentes.

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