Mulheres do Agro: Segmentação Psicográfica
A pesquisa “Todas as Mulheres do Agronegócio”, apresentada no “2º Congresso Nacional de Mulheres do Agro”, revelou sete diferentes perfis femininos do agro.
A Segmentação Psicográfica é uma abordagem utilizada em pesquisas sociais para dividir uma população com base em características psicológicas. Com isso, a pesquisa conseguiu identificar aspectos relacionados a valores, atitudes, interesses e opiniões das participantes.
Diferente da segmentação demográfica, que se baseia em fatores como idade, gênero e renda, a segmentação psicográfica busca compreender o “porquê” por trás dos comportamentos.
Ao explorar fatores como percepção de equidade de gênero, importância da carreira, empreendedorismo e valores tradicionais, a pesquisa Todas as Mulheres do Agronegócio destacou as motivações subjacentes que influenciam as decisões e comportamentos dessas mulheres. Por exemplo, muitas demonstraram resiliência e desejo de avançar em posições de liderança, refletindo uma postura empreendedora e determinada.
Os insights obtidos através da segmentação psicográfica fornecem subsídios para o desenvolvimento de políticas públicas, programas de capacitação e estratégias de comunicação mais alinhadas às necessidades e expectativas de cada perfil identificado. Isso possibilita ações mais eficazes e direcionadas, promovendo maior engajamento e impacto positivo no setor.
Confira os 7 perfis obtidos na pesquisa
ESPÍRITO LIVRE

Destacam-se por serem as menos conservadoras e tradicionais e o segundo segmento mais aberto ao esoterismo, à identificação com a esquerda e favoráveis a união homoafetiva. Têm intenção de abrir um negócio próprio.
Na Internet, são as que mais acessam o Instagram e Youtube. Solteiras (ou vivem junto com alguém) a maioria ainda não tem filhos. São as que fazem mais musculação e ginástica aeróbica.
GESTORAS EFICIENTES

São as mais assertivas e planejadas e que não têm a intenção de abrir outro negócio no futuro, pois já são proprietárias ou sócias.
Gostariam de ter mais tempo para estudar Gestão de Pessoas e Vendas. Na Internet, são as que mais acessam o Whatsapp e Messenger.
São as que mais trabalham remotamente e as que mais têm horários flexíveis. Mesmo assim, são as mais sedentárias e consomem mais TV e rádio.
PODEROSAS

Dão maior importância à carreira, ao trabalho e à própria aparência. Gostariam de ter mais tempo para estudar Gestão Empresarial e Negociação.
Participaram de mais Feiras e Exposições, Palestras e Leilões nos últimos 12 meses.
São as menos sedentárias e mais preocupadas com a própria saúde e que mais valorizam o equilíbrio entre vida pessoal, profissional e social.
Vestem-se de acordo com a moda. Assumem que são vaidosas e não dispensam a maquiagem no dia a dia. São as que mais vão a manicures.
Sentem-se mais Chefes do que Líderes. São as que mais estão satisfeitas com a estabilidade financeira.
INDEPENDENTES CONVICTAS

São aquelas que dão menos importância ao casamento e à maternidade. É o grupo predominante de mulheres solteiras ou sem filhos.
Foram as que mais participaram de cursos. Gostariam de ter mais tempo para estudar Finanças e Política. São as que mais fazem Pilates.
EXECUTIVAS

Priorizam a carreira, são mulheres que acreditam que há elevada equidade entre os gêneros.
Gostariam de ter mais tempo para estudar Gestão de Pessoas e Tecnologia. Na Internet, são as que mais acessam o LinkedIn.
Não fazem questão que os filhos continuem os negócios da família. São as que mais residem nas cidades e mais gostam da vida agitada das centros urbanos. Também são as que mais compram produtos de marcas famosas.
Mais preocupadas com o desempenho dos negócios e as mais estressadas por dificuldades no trabalho. Sentem-se mais Líderes do que Chefes.
Menos satisfeitas com a própria estabilidade financeira, sãos as que mais têm medo de fracassar na carreira.
GUERREIRAS

São mulheres que acreditam há baixa equidade entre os gêneros, são conservadoras e tradicionais.
São as que se casaram mais jovens e as que mais desejam que os filhos continuem com os negócios da família. Sentem-se menos preparadas para a atividade que realizam.
São as que mais sentem dificuldades trabalhando lado a lado com homens e mais percebem o preconceito dos homens no trabalho em relação às mulheres.
A principal fonte de estresse é a falta de dinheiro. Se não precisassem trabalhar, gostariam de ficar em casa, cuidando dos filhos.
Gostam de música sertaneja.
MÃES LENDÁRIAS

São mulheres que dão importância ao casamento e à maternidade. Dão baixa importância à carreira e ao trabalho. São menos abertas ao esoterismo, às uniões homoafetivas e à identificação com a esquerda política.
De maioria católica, é o perfil com maior percentual de protestantes e evangélicas. Acessam bastante a Internet, mas comparativamente, são as que menos acessam.
As que mais cozinham em casa e somando a jornada de trabalho fora de casa e em casa, muitas trabalham acima de 45 horas semanais.
São as que mais sentem satisfação com a família e a principal fonte de irritação e estresse é falta de tempo para a família. Estão mais satisfeitas com o casamento que possuem.
São as que mais fazem caminhadas ao ar livre.

Para realizar a segmentação psicográfica da pesquisa, as 862 mulheres responderam quanto concordavam com cada uma de 49 frases de um bloco de perguntas sobre Valores, Interesses, Opiniões e Atitudes. As frases deveriam ser respondidas em uma Escala de 5 posições: Concordo totalmente; Concordo parcialmente; Nem concordo nem discordo; Discordo parcialmente; e Discordo totalmente.
Foi realizada a análise estatística multivariada por meio da técnica de Análise Fatorial para que as 49 frases fossem reduzidas a 14 fatores. Realizou-se, então, nova etapa, desta vez pela técnica de Análise de Cluster. Chegou-se, então, aos sete grupos caracterizados das Mulheres do Agronegócio.
Sobre a Pesquisa
Com iniciativa da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e produzida pelo IPESO Instituto de Pesquisa, a pesquisa Todas as Mulheres do Agro foi apresentada no 2º Congresso Nacional de Mulheres do Agro, em 2017. A iniciativa contou com patrocínio de Bayer, DuPont, Adama, Matsuda e Yara.



